Sandra Correia: Em nome da ótica…e da autoconfiança

A Óptica Correia nasceu de uma convicção: da vontade de Sandra Correio de experimentar uma caminho distintivo, de ir além das tendências e, no fundo, de se encontrar enquanto profissional e mulher. Tudo isto foi o rastilho que lhe deu a coragem de registar a sua empresa e de a projetar no futuro. O que nos chamou a atenção para esta ótica das Caldas da Rainha foi a promoção do visagismo na ótica e, no fundo, na vida. O estudo do rosto, das formas, das cores, das particularidades de cada pessoa e tantos outros detalhes é uma experiência única que garante uma ligação segura entre óculos e consumidor.

A Sandra sente a diferença entre esta nova geração de óticos que não têm herança familiar do negócio e aqueles que continuam o trabalho de gerações anteriores?

Sim, eu acho que como já vêm com um negócio feito há muitos anos, bem solidificado, com os seus clientes, muitas das vezes lutam mais para manter esses parâmetros, porque o fluxo já é o suficiente. Quem começa agora na ótica, sem nenhuma referenciação, sem ter, por exemplo, um oftalmologista por trás é muito mais difícil de sobreviver.

E como é que a Sandra conseguiu? Algum segredo?

Mais teimosia do que bom senso (risos)! Eu amo aquilo que faço e olho para a ótica quase como olho para o meu filho, que tem seis anos, e foi há precisamente seis anos que comecei o negócio em nome próprio. “Nasceram” os dois quase ao mesmo tempo e tenho, por isso, uma dedicação especial por tudo aquilo que eu faço. Já tinha tido a minha experiência numa rede e senti que na altura não ia sobreviver se continuasse com o que caminho que queriam que eu tomasse. Caldas da Rainha que é um mercado muito pequenininho mas que tem mais ou menos 15 óticas, aliás há quem lhe chame a “cidade das óticas”, com uma em cada esquina e, ainda por cima são todas muito agregadas a médicos ou oftalmologistas. Ou seja, é um mercado muito difícil de penetrar. E eu não tinha prazer em estar a trabalhar mais do mesmo e senti que se me posiciona-se pelo preço, eu ia “morrer” pelo preço. Eu e a minha equipa passámos a apostara apostar na diferenciação, na formação e começámos a trilhar um caminho alternativo à oferta que nos rodeia, a apelar mais pela parte do visagismo, através de um nicho de mercado. Aos poucos consegui deixar de trabalhar com certos fornecedores com quem todos trabalham e comecei a trabalhar com profissionais do “mercado livre”. Comecei a ter uma oferta muito maior de armações diferenciadas e isso atraiu-me um público diferente também.

Quais são os passos decisivos de avaliação no visagismo?

Há sempre a diferença entre a opinião da pessoa e depois aquilo que realmente lhe fica bem. As pessoas são complexas, mas também o visagismo não é algo que consigamos implementar com qualquer tipo de cliente. Há pessoas que só vão gostar de óculos pretos e está tudo certo. Por outro lado, há também pessoas que realmente valorizam o serviço e estão mais recetivas a receber a informação. E depois ficam agradavelmente surpreendidas. Mais do que nós analisarmos o formato da sobrancelha, o formato do rosto, o contraste pessoal, o visagismo é conhecer a pessoa.

Existe aqui quase uma espécie de consulta de psicologia (risos)?

Parcialmente sim (risos), porque a vida hoje em dia é um bocado complexa e se calhar obriga-nos a ter muitas máscaras: a máscara profissional, a máscara social, entre outras. As mulheres, atualmente, estão cada vez mais lançadas no mundo dos negócios e querem passar um sentimento de pertença e de autoridade, para ultrapassar aquela visão de fragilidade que nos foi sempre atribuída. Através do visagismo podemos encontrar estratégias de imagem para dar esse empoderamento à pessoa. Por isso, a abordagem que implementamos junto do cliente vai além do que aquilo que fica bem ao formato de rosto da pessoa. Passa por compreender quais são as necessidades e expectativas. E normalmente nunca vendemos só um par de óculos, porque, lá está, o cliente pode ter diferentes vertentes da sua vida.

Entrevista completa na Millioneyes 156