Revemo-nos tanto na forma de viver a ótica de Pedro Filipe Pereira, ou melh
or, Pedro Filipe Lunetier. Este artista feito a partir dos sonhos e da experiência de vida juntou-se à comunidade da ótica como sócio da belíssima ótica bracarense O Palácio. Este reduto luxuoso de óculos deu-lhe uma visão abrangente sobre o melhor que se faz em design eyewear. Também lhe mostrou onde podia inovar e inventar. Na altura que o entrevistámos pela primeira vez, em 2018, identificámo-lo como o empresário ambicioso e analista, lutador desde cedo, numa vida marcada pela ausência dos pais emigrantes, mas muito positivo e enérgico. Agora, reencontramo-lo entre placas de acetato e todas as ferramentas de um artesão, posicionado em frente do “nada” que se transformará nas suas mãos em algo exclusivo e pessoal. Tal como um alfaiate, Pedro deslinda pessoas e vontades para esculpir frontais à medida e ao ritmo de quem o procura. E seguindo uma tendência que parece crescer entre os óticos, nasce uma marca que fala uma linguagem próxima aos amantes de óculos, que exprime sentimentos e personalidades e onde só há uma peça para cada “espírito”.
A criatividade tem sido uma constante na vida do Pedro. Onde descobriu esta vontade/dom de transformar?
Desde muito cedo senti curiosidade em perceber como as coisas eram feitas — desmontava, observava, transformava. Sempre me fascinou o processo, o detalhe, a beleza do que é feito à mão. A vontade de transformar vem daí: de
querer dar forma a algo que ainda não existe, mas que já vive dentro de nós. Há sempre aquela questão ao adquirir uns óculos por parte dos clientes: “não existe tamanho maior?, mais largo no nariz? não existe de outra cor?” Foi a partir destas perguntas que me apercebi da lacuna que o mercado apresenta e me interroguei: porque não criar eu os óculos? Daí Surgiu o Pedro Filipe Lunetier.
Enquanto ótico sempre apostou em marcas premium. Foi nelas que viu a possibilidade de fazer algo original?
As marcas premium mostraram-me o valor da qualidade e do detalhe, mas também o limite do que já estava feito. Foi ao trabalhar com elas que percebi que queria ir mais além criar algo com alma própria, onde cada peça tivesse uma história e uma identidade única.
E o que acrescenta às peças como assinatura própria?
O toque humano. Nenhuma peça é igual à outra, porque cada uma passa pelas minhas mãos. O tempo, a paciência e o cuidado com que é feita são a verdadeira assinatura. Gosto que quem as usa sinta que tem consigo algo realmente seu feito com intenção e propósito.
O que achou que podia proporcionar como extra a este acessó
rio tão importante na vida de tantas pessoas?
Os óculos são mais do que um acessório, são uma extensão de quem somos. Eu quis devolver-lhes alma. Fazer com que cada pessoa pudesse sentir que o seu par de óculos não foi apenas escolhido, mas criado propositadamente para ela. Uma peça que reflete personalidade e individualidade. Conciliar estes dois conceitos acaba sempre por ser um desafio aliciante.
Entrevista completa na Millioneyes 149








