Milhões de lentes de contacto são descartadas incorretamente todos os dias, muitas vezes através do lavatório ou da sanita. Esse hábito aparentemente inofensivo acaba por encaminhar esses pequenos dispositivos para as estações de tratamento de águas residuais, onde nem sempre são totalmente removidos. Embora essas estações consigam eliminar a maior parte dos resíduos sólidos, as lentes de contacto, feitas de polímeros resistentes, tendem a persistir — seja nas lamas, seja na água tratada. O resultado? Uma fonte silenciosa, mas crescente, de microplásticos que ameaça tanto os ecossistemas aquáticos quanto os solos agrícolas.
O estudo
Para investigar este problema, a nossa equipa colocou dez tipos diferentes de lentes de contacto (LC) — seis descartáveis diárias e quatro mensais — diretamente na estação de tratamento de águas residuais (ETAR) de Braga. As lentes permaneceram em contacto com o ambiente biológico real, incluindo microrganismos e oxigénio, durante um período de 12 semanas, permitindo avaliar a sua durabilidade e persistência no processo de tratamento.
Foram avaliados: • O conteúdo em água nas lentes (que afeta a sua estrutura e funcionalidade), • Alterações no índice de refração (ligado à composição ótica), • Resistência mecânica, • E potenciais alterações químicas, usando espectroscopia no infravermelho (FTIR). Os resultados revelaram que: • As lentes mantiveram a sua forma e estrutura física, sem sinais de desintegração visível ao fim das 12 semanas (Figura 1). • As alterações físico-químicas foram mínimas, especialmente entre as lentes de uso diário. • Em apenas um caso — uma lente de uso mensal— foi notada uma redução significativa da resistência mecânica, mas sem quebra ou decomposição total. • Sem degradação química: Não foram detetadas alterações químicas significativas nas lentes através das análises FTIR.
Estudo completo na Millioneyes 146







