Mercado europeu: ebulição de fusões e aquisições

2025 foi um ano de grandes movimentações a nível europeu, para a ótica. Quem o declarou foi banco de investimento global especializado na monitorização de setores de consumo, Houlihan Lokey, que tem acompanhado as grandes fusões e aquisições do setor. No relatório Another Look at Eyewear and Eyecare de 2025, a companhia concluiu que o setor europeu dos cuidados oculares e da ótica continua a destacar-se como um dos mais resilientes e atrativos para operações de fusões e aquisições.

No ano transato registaram-se 28 transações entre empresas, incluindo aquisições integrais e participações minoritárias. Embora ligeiramente abaixo das 31 operações de 2024, o número confirma uma estabilidade notável desde 2022 o que, segundo a Houlihan Lokey, se deve a estruturas de procura robustas e, como referem os analistas, “características defensivas” do mercado. E porquê defensivas? Prende-se com a natureza essencial dos produtos de visão, cuja procura mantém-se constante independentemente do ciclo económico.

A obrigatoriedade de visitas a lojas físicas para exames de visão também protege o canal de retalho tradicional e confere-lhe uma vantagem face à concorrência online puramente baseada em preço. Em 2025, destes 28 negócios registados, 21 envolveram investidores estratégicos e apenas sete investidores puramente financeiros. Este comportamento tem a ver com o perfil mais “retalhista” da ótica que limita o “apetite” dos fundos puramente financeiros.

A preferência dos investidores migra cada vez mais para modelos digitais e de grande escala. Já os grupos estratégicos veem neste mercado um terreno fértil para expansão. A integração entre cuidados oculares, ótica e até aparelhos auditivos está a ganhar força. Os exemplos mais emblemáticos estão na aquisição da Optegra, uma empresa de cirurgia ocular com 70 hospitais em toda a Europa de Leste e do Norte, pela Essilor- Luxottica, bem como na fusão entre o gigante europeu da venda de lentes de contacto Vision Group e a Lens Online. Paralelamente, a digitalização acelera a transformação das lojas físicas, com ferramentas como provadores virtuais ou teleoptometria, forçando a consolidação do setor e fomentando a vontade dos investidores estratégicos de “atacar”.

A fragmentação permanece significativa em mercados-chave como Itália, Bélgica, Espanha, Áustria e Alemanha. Aliás no relatório de 2024, a Houlihan Lokey registou que as três maiores cadeias de óticas representam apenas cerca de 30 por cento do mercado.

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