Há um “novo” Adão Oculista na rua de Santa Catarina. E de facto, depois de percorrermos a icónica artéria da Invicta, levados pela curiosidade do novo sentido de uma das mais emblemáticas empresas de ótica, paramos em frente à vitrine, naquele dia decorada com cerâmicas de outros artistas da cidade. E passando a porta, um sorriso recebeu-nos entre luzes acolhedoras, uma decoração exímia e coleções eyewear “ilimitadas”. Os detalhes em cada recanto deste espaço deixam um sentimento de pertença, de conforto e caminhar entre os óculos traz-nos moda, beleza, tecnologia ao alcance de um toque e finalmente o passado. Mesmo no fim da loja, há uma exposição única das peças que contam a história da ótica e que nos transportam aos tempos gloriosos de um setor que é prova de resiliência e renovação.
A Marta viveu os altos e baixos do setor, primeiro através do avô Adão de depois dos pais Arlindo e Paula.
No tempo do meu avô não tinha bem noção do que significava o negócio. Só ganhei essa perceção a partir do momento em que comecei a trabalhar aqui há dez anos. Claro que, andava aqui quando era miúda, ajudava a minha mãe no balcão, fazia atendimento para marcação de consultas, etiquetava material, passei por muitas das fases da empresa e até por aqueles dias de loucura, em que vendíamos 40 pares de óculos de sol numa tarde de sábado e com fila à porta, com os consultórios sempre cheios. Hoje em dia não é tanto assim, até porque a concorrência é muito maior e temos alavancado o negócio para segmentos mais elevados, com aposta clara no serviço. Mantemos a nossa carteira de clientes, alguns com fichas há 30/40 anos e que foram trazendo as gerações seguintes. É algo muito gratificante, porque significa que o trabalho que fizemos até agora é consistente e está bem feito e, de facto, os valores que já vêm de há 63 anos ainda se mantêm.
Ou seja, a Marta segue fielmente as bases de atuação da família.
Mudar esta linha não resultaria. O trabalho tem sido consistente e com resultados claros de sucesso. No entanto, o tipo de atendimento que fazíamos há 30 ou 40 anos não é o que hoje precisamos para trabalhar, até porque as pessoas estão muito mais informadas e há sempre marcas novas e tecnologias a invadir o mercado todos os dias. E o trabalho que fazemos sobre isto é algo que cativa muito o cliente e o prende a nós. Felizmente temos a capacidade de apostar em alta tecnologia para o apoio à venda, nomeadamente com os espelhos virtuais, e os nossos equipamentos de consultório são dos mais avançados que estão disponíveis. Temos a inovação como uma das nossas bandeiras, não desfazendo daquilo que é a ótica tradicional.
Em que ponto decidiu seguir as passadas familiares?
Em 2010 entrei na Faculdade de Arquitetura, no Porto, e fiz três anos de curso. Entretanto tive um filhote, que agora tem 12 anos, e a partir do momento em que temos uma responsabilidade desse calibre reavaliamos tudo. Decidi não continuar a estudar, porque tinha aquela responsabilidade para cumprir e não foi por falta de apoio, que os meus pais incentivaram-me, mas senti um chamamento e queria ter condições para dar à minha família. Os meus pais aceitaram-me na Adão Oculista (mau era se assim não fosse (risos)) e trabalhei em várias áreas, desde a gestão do merchandising, a gestão de stocks, ajudei a desenvolver a parte das redes sociais, precisamente quando elas começavam a ter uma enorme importância, inclusive fiz formação em marketing digital. Entretanto há quatro anos entrei na licenciatura de Gestão, que terminei o ano passado, e tenho-me mantido atualizada, nomeadamente, com a formação Short Master da Optivisão, que foi especial no sentido que conheci outros profissionais da ótica que gostam de partilhar e aprender.
Que futuro sonha para o Adão Oculista?
Sonho que o sonho do meu avô se mantenha, que isto continue no tempo e que possa continuar a fazer jus ao nome do Adão.
Entrevista completa na Millioneyes 147












