A portuguesa Bo Bo Noir é uma espécie de poema ótico. Os óculos sonhados e pensados por João Bessa, diretor criativo e cofundador da marca, chegam com suavidade, inspiram-nos e movem-nos para se tornarem uma homenagem ao presente e imunes à passagem do tempo. Este criativo não tem história na ótica, no entanto tem a curiosidade e o fascínio pelo acessório que se torna uma parte de quem o usa, de tal forma que “fala” sobre “nós”.
Começou na área do design de mobiliário com a Bessa Design em 2013. O que o levou a dar o salto para um “mundo” tão específico como o dos óculos?
A transição aconteceu de forma bastante natural. Sempre vi o design como uma forma de expressão ligada à identidade, e os óculos têm essa capacidade de uma forma muito direta. Enquanto o mobiliário habita um espaço, os óculos habitam a pessoa, tornam-se parte de quem os usa. Foi essa proximidade que me despertou interesse.
Foi uma decisão gradual ou um momento de clareza?
Foi mais um processo do que um momento isolado. A ideia foi amadurecendo ao longo do tempo, até fazer todo o sentido dar esse passo. Não foi impulsivo, foi uma evolução natural do meu percurso.
As especificidades dos óculos, pela proximidade ao rosto, trouxeram desafios que o mobiliário nunca lhe colocou?
Sem dúvida! Nos óculos, tudo é mais sensível — proporção, conforto, equilíbrio. Estamos a trabalhar numa escala muito mais íntima e isso exige um nível de precisão diferente. Pequenos detalhes fazem toda a diferença. E eu sou uma pessoa de detalhe.
A Bo Bo Noir posiciona-se deliberadamente contra as tendências, que tem sido, aliás, a mensagem de tantas marcas independentes que surgem no setor da ótica. Como se quer diferenciar?
A diferença está na intenção por trás de cada decisão, na forma como trabalhamos proporção, volume e presença. Mais do que estética, interessa-nos o impacto que a peça tem em quem a usa. Não queremos apenas desenhar óculos bonitos. Queremos criar objetos que definem identidade. Não seguimos. Propomos.
Entrevista completa na Millioneyes 155









