Hugo Cortez Marques: a ótica desenhada com otimismo

Hugo Cortez Marques

A ótica desenhada com optimismo

Sempre que nos aventuramos em busca de personalidades interessantes na ótica surpreendemo-nos. Desta feita, descobrimos um designer de formação e “ótico” por deformação, como nos disse em jeito de brincadeira, Hugo Cortez Marques. Embora tentasse fugir ao cliché de integrar o negócio familiar, as circunstâncias da vida chamaram-no à ótica. Primeiro porque tinha uma aptidão natural para o design, algo que hoje tem imensa presença no eyewear e interessou a marcas de óculos. Depois porque o chamamento das mulheres da sua família foi mais alto. Com as irmãs gémeas, a optometrista Raquel e a Sara arquiteta, assumiu a aventura de manter a honra do brasão familiar suspenso na ótica que os viu crescer, no lugar mais alto. E, de facto, o Cortez Marques Oculista é um exemplo de idoneidade, futuro e esperança. Com um regime de gestão apurado, estratégias delineadas para acompanhar as mais rebeldes tendências de consumo e um investimento avultado em tecnologia, esta casa mantém uma ampla carteira de clientes com toda a proximidade de uma localidade periférica, mas com a acutilância da mais organizada empresa.

Qual foi a vida do Hugo antes da ótica?

O meu chamamento sempre foi para o desenho e ainda hoje o faço imenso. Eu dava aulas nesta área na Universidade Fernando Pessoa e era designer num atelier. Com a instituição do regime de Bolonha convidaram-nos a fazer mais formação e tirei mestrado na perspetiva de continuar a dar aulas. Porém, houve muitas dispensas e a situação no atelier não eram estável. De repente, tinha o meu primeiro filho a nascer e tinha de trabalhar. Isto há 13 anos. Entretanto tive um convite de uma multinacional do setor da ótica, para vender algumas coleções que podiam funcionar comigo por ter ligação ao design. Acabei por trabalhar quatro anos e vender diferentes marcas, sempre sem descurar o meu atelier em casa ao qual me dedicava com alguns clientes, na área do design gráfico. Foi assim que comecei o meu trabalho na ótica, faceta que hoje me absorve praticamente por completo, embora ainda ontem à noite estive até às tantas a fazer um trabalho de design. No fim desta aventura de vendedor, e já se adivinhava a crise, o meu pai antecipou o momento e abriu mais três óticas periféricas à sede e só nessa altura fez sentido eu integrar a empresa, porque pelo caráter dele nunca abriria um posto de trabalho só para incluir um filho. Fui apoiá-lo e à minha irmã que para além da optometria fazia também o trabalho administrativo da ótica. Daí até assumirmos a gestão da empresa familiar foi o tempo de uma série de episódios que culminaram há três anos atrás.

 

Ou seja mudou por completo a sua vocação.

Sim, muito e ainda não parei! Continuo a estudar à noite, aprendi com o meu pai e os colaboradores mais antigos, como a Susana e a Sónia a fazer o trabalho técnico de oficina, mas apesar de estar há oito anos no ramo, não me chegava. Por isso, estou a tirar o curso de técnico de ótica ocular, pela Associação Nacional dos Ópticos (ANO) com a minha irmã Sara, para além de outras formações específicas de gestão. Temos que ser coerentes com a nossa filosofia de rigor e qualidade, a começar precisamente em nós. E digo-lhe que, acho que este curso também deveria desenvolver-se para uma licenciatura.

E que futuro antecipa?

Acho que ótica, a seu tempo, vai contrair. Basta observar os números da Europa para perceber o que se está a passar e se olharmos a longo prazo até se vai contrair para metade. Tudo vai ser muito diferente para todo o comércio de retalho e as óticas passarão a ser showrooms. As ameaças são várias entre as quais a medicina e o e-commerce e até é por isso que o Cortez Marques Oculista já tem um projeto digital.

E fazem 34 anos também!

Sim, e não perspetivávamos marcar o aniversário com a mudança, mas vai acontecer e vai adequar-se aos nossos clientes na perfeição. Outra forma de marcar a efeméride é com a assinatura de um protocolo solidário com a câmara. O que fizemos foi envolver os fornecedores, captar parte de budgets e em vez de oferecermos pipocas e balões, contribuímos e ajudamos quem realmente precisa. Fomos nós que nos aproximamos da Câmara Municipal de Penafiel, sabendo que, à semelhança do que nos acontece a nós, também eles têm todos os dias pessoas a bater à porta porque precisam de ajuda. Decidimos usar as ferramentas camarárias que conseguem identificar quem tem necessidades reais urgentes. Nós não queremos fazer a prescrição, deixamos isso para as entidades hospitalares. Oferecemos os óculos e as lentes de boa qualidade, independentemente da idade e da prescrição. Tudo isto foi desenhado com a câmara durante um ano para salvaguardar todos os aspetos legais de uma iniciativa destas e propusemos apoiar essas pessoas durante quatro anos.

O Cortez Marques Oculista faz parte das fileiras da Optivisão. Acredita na nova fase do grupo?

Algumas particularidades que gosto no André Brodheim são a visão do sector e o tato para com todos. Sentimos mais ajuda, mais ferramentas, e que ouvem a nossa “pequena” empresa em Penafiel, aprendendo com a nossa experiência. O restyling foi muito bem vindo e inteligente, acredito que o André Brodheim vai mudar as coisas e levá-las a um ponto que nós, Cortez Marques, nos identificamos. Também gosto muito dos profissionais que integram a equipa Optivisão. Agrada-me constatar que os Brodheim trouxeram um modo de gerir ainda pouco instituído na ótica, mas que marca a diferença com sua imensa experiência no retalho não tendo a agressividade de outros grupos em Portugal, mas uma perspicácia própria.

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