Bruno Dias: A empreender um novo futuro da ótica

Sempre que anunciamos que o futuro já chegou à ótica temos por base pesquisa e esperança. Apoiamos essa nossa forma de estar nos ideais e projetos que nos inspiram, com filosofias disruptivas, sem medo. E Bruno Dias foi o exemplo da último edição do ano, com um serviço de proximidade aos óticos e aos amantes de óculos. Tornar a escolha de uma armação um ato de “confissão” e aperfeiçoamento é algo que Bruno cultiva entre quem o procura. Tornar as óticas num “templo” de conforto, perfeição no serviço e de foco na tecnologia e futuro é a sua missão.

Sabemos que já usufrui de uma longa carreira na ótica. Conduza-nos por este percurso de 25 anos, começando, pelo que o trouxe para a atividade e, mais importante, o que o manteve “preso e seguro” à ótica.

Na realidade já cheguei há 26 anos ao setor da ótica! E envolvi-me com a atividade de forma muito curiosa. Fui aluno da casa Pia, com a ideia de fazer o curso técnico profissional de informática. Disseram-me logo à partida que não havia vagas, mas que tinham um curso novo, na altura com apenas dois anos de existência, e que tinha muito a ver com as minhas competências. Desafiaram-me a tentar e se não estivesse satisfeito que podia mudar no ano seguinte para a informática. Aceitei! Fiz o curso de auxiliar de ótica. No fim do período “experimental” decidi ficar. Gostei imenso da formação e foi assim que a ótica se “entranhou” na minha vida, sem influência familiar, nada, foi um acaso ou destino se quisermos acreditar. Prossegui a minha formação com o curso de técnico de ótica, sempre na Casa Pia, e fui trabalhar para a Prolente, com o Rui Teixeira, com quem, aliás, já trabalhava no último ano de estudante num estágio de verão. Foi o Rui que me incentivou a estudar mais por isso tornei-me técnico de ótica e contactologista. Neste percurso, a Casa Pia tinha o problema de não ter docentes suficientes para as práticas oficinais e convidaram-me para assumir esse desafio, porque eu tinha sido nos dois finais de curso o melhor aluno e mantive-me no projeto durante três anos. Com mudanças de casa e de vida, fui trabalhando em várias óticas. Também passei pela Prats durante dois anos na área do controlo de qualidade, onde aprendi muito sobre o produto e mais tarde apareceu a Hoya a querer trazer um novo projeto para Portugal. Era um novo departamento de biselados remoto e convidaram-me para ser eu a montá-lo. Dentro da Hoya evoluí e voei para outras experiências. Com a entrada de um novo diretor ibérico que sabia da minha paixão pelos dispositivos digitais e pela informática, atraem-me para um novo projeto ibérico que passava pelo lançamento das aplicações para iPad. Essa área cresceu muito e daqui fui convidado a desenvolver um departamento em Espanha. Fiquei dividido entre os dois países. Os diretores em Portugal não queriam que deixasse de dar a formação aqui, por causa da relação que criei com os clientes. A minha vida dividiu-se entre Madrid e Lisboa durante três anos. Foi uma loucura e acabei por querer estabilizar em Portugal. Ainda estive ligado à Hoya mais quatro anos até se juntarem vontades para que eu saísse e criasse algo só meu.

O que envolve a consultoria de imagem e visagismo?

É muito mais do que olhar o rosto da pessoa e atribuir uma forma de óculos. Vai desde estudar a mensagem que o cliente quer passar, o posicionamento que ele quer ter, como é que ele quer ser visto para depois se poder projetar o resto. O formato da face é o que menos importa em todo este processo. Interessa sim, a ideia que quer transmitir: criativo ou sério, proximidade ou afastamento? Outra coisa importante passa pela questão do conforto. Além de tudo isto, também trabalhamos sobre a formação das equipas. E digo-lhe que antes de iniciar este trabalho, fui com uma receita a cerca de 14 lojas de ótica distintas entre si e a única diferença que encontrei foi no preço. A forma de atender e comunicar era semelhante em todas. Vou dar-lhe um exemplo afeto ao mercado da roupa. Se eu entro na Primark, sei o atendimento que eu vou ter, que é nenhum, porque aquilo é um self-service. Se eu entrar na Boss o seviço já é distinto, pois se sou cliente da casa eu já tenho um consultor. Mas se entrar numa Gucci ou numa Louis Vuitton, oferecem-me logo à partida um café. uma água ou até mesmo champagne. Nestas marcas varia o posicionamento. Na ótica nós temos todos estes níveis de posicionamento, mas não temos estes níveis de serviço.

Entrevista completa na Milllioneyes 150