De óculos ousados, postura segura e um olhar doce e magnético, Andreia Oliveira chamou-nos a atenção pela juventude, em pleno Congresso Internacional de Optometria e Ciências da Visão, em Braga. E de facto, descobrimos que é um dos rostos representantes da fascinante nova geração da ótica portuguesa. Promove e desenvolve a saúde visual na Mealhada na medida das suas convicções e a partir da Óptica Olh’arte há quase uma década. No entanto, a sua história com o setor já tem quase a sua idade.
A Andreia enquanto ótica é “fruto” de uma história longa e bonita.
Voltando atrás e ao que fez nascer a Óptica Olh’arte, os meus pais desenvolveram a ótica e a ourivesaria desde sempre. O meu pai, Luís Oliveira, herdou essa atividade da família dele e, de facto, a história da ótica andou sempre de mãos dadas com a ourivesaria. Ainda me lembro de quando o meu pai foi tirar o curso de Técnico de Ótica Ocular, aliás, eu e a minha irmã éramos muito pequeninas, com cerca de cinco. É das primeiras memórias que tenho, saber que o meu pai, durante aquele ano todo, não estava, porque trabalhava todo o dia e à noite, duas vezes por semana, ia para o Porto. O mais curioso é que recentemente num dos eventos da Optivisão estava a comentar com o Maurício Silva, responsável pelas vendas e retalho do grupo e com quem já privo há mais de um ano, sobre o meu pai e percebemos que eles tinham feito esse curso juntos e nem sabíamos dessa ligação (risos). Depois de tirar o curso tudo se desenvolveu mais depressa na área da ótica, porque a ourivesaria já vinha das gerações anteriores e já são três! O meu avô era vendedor ambulante, ia de bicicleta, apanhava um comboio e vendia no país inteiro. E uma vez pousou a bicicleta cheia de ouro e alguém a levou…felizmente quem o fez só precisou de ir a um sítio e devolveu com tudo incluído (risos). Ele foi um dos primeiros ourives ambulantes e dos quatro filhos, o meu pai foi o único que assumiu o negócio familiar. Depois puxou a minha mãe, a Anália Oliveira, vinda de uma família dedicada à restauração. Acabaram por, juntos, abrir o seu próprio negócio. Aguim foi o local eleito para a primeira loja há cerca de 35 anos, num pequeno centro comercial acabado de construir. Foi também aqui que, depois de terminado o curso de Técnico de Ótica Ocular investiu num consultório à parte e conseguiu através dos contactos que fez durante a formação, que um oftalmologista viesse fazer consultas uma vez por mês. O médico começava às 9 da manhã e acabava às 19, sem parar. Não havia essa valência na região e era uma enorme mais-valia.
Como se ligaram as duas atividades?
Acho que foi o gosto que o meu pai tinha pela minúcia da ourivesaria que também é transversal à ótica. E mantiveram- nas em simultâneo, embora tenham prescindido em parte da ótica.
Isso é uma surpresa! (risos)
Sim, é verdade, O meus pais decidiram vir para a Mealhada abrir uma segunda loja, com ótica e ourivesaria, mas sempre com maior incidência da ourivesaria. Óticas já havia algumas e ourivesarias não, ainda por cima com o conceito que eles traziam, que era muito moderno. A ótica ficava “atrás” um pouco mais esquecida. Os clientes que eles já tinha em Aguim continuavam a vir, mas não se divulgava o serviço e por isso não havia novos clientes.
O que a prende mais à ótica?
Sou muito fascinada pela optometria, pelo servir bem e pelo cuidado de saúde visual. O que eu passo muitas vezes aos clientes é que o olho é uma das estruturas mais importante da nossa vida e quando se trata das patologias mais graves, ele não dói, ou quando dói é porque o problema é muito grave. Eu não troco a saúde visual por nenhuma venda e se há uma patologia ou alguma dúvida, sou a primeira a encaminhar para a oftalmologia. Hoje já somos duas optometristas, eu e a Rafaela, que entrou quando a Jéssica engravidou, quem eu conhecia e que me dá um apoio precioso para que eu possa debruçar-me na gestão tanto da ótica como dos recursos humanos das ourivesarias.
Entrevista completa na Millioneyes 145








