
Desde 2007, Portugal integra de forma contínua o inquérito internacional sobre adaptação de lentes de contacto, coordenado pela Universidade de Manchester, sendo a Universidade do Minho o ponto de articulação nacional. Ao longo destes anos, esta colaboração tem permitido acompanhar, de forma consistente, a evolução da prática clínica em Portugal no contexto das tendências globais.
O presente artigo reúne os principais resultados de 18 anos consecutivos de monitorização (2007–2025), com base na análise comparativa de 11 países representativos de diferentes realidades geográficas. Esta abordagem longitudinal oferece uma perspetiva clara sobre como têm evoluído as preferências de prescrição — desde os materiais utilizados às geometrias e regimes de substituição. Os dados mais recentes mostram que Portugal não só acompanha as tendências internacionais, como em várias áreas se posiciona acima da média global. Destaca-se a forte adoção de lentes em silicone hidrogel, a elevada proporção de lentes tóricas e multifocais e a consolidação de regimes de substituição mais frequentes.
Estes indicadores refletem uma prática clínica alinhada com a evidência científica e com as necessidades visuais atuais dos utilizadores. Os resultados mais recentes do inquérito internacional sobre adaptação de lentes de contacto foram publicados em janeiro de 2026 na revista Contact Lens Spectrum. (1) Este projeto, em curso desde o ano 2000, baseia-se num modelo simples, mas metodologicamente consistente: cada profissional participante reporta as suas primeiras dez adaptações consecutivas, que são posteriormente integradas numa base de dados centralizada pela Universidade de Manchester. Ao longo de mais de duas décadas, esta iniciativa construiu uma das maiores bases de dados mundiais nesta área. Em 2025, foram analisadas 11 264 adaptações realizadas em 24 países, entre os quais Portugal. A participação portuguesa é contínua desde 2007 (2-19), sendo a Universidade do Minho responsável pela coordenação nacional da recolha sistemática destes dados. À semelhança dos anos anteriores, os resultados foram apresentados e discutidos na 21.ª Jornada Técnico-Científica de Contactologia.
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