Daniela Fonseca: Ao serviço do futuro da ótica

Já esperávamos há muito tempo para registar esta conversa e, depois de uma breve viagem até Vila Nova de Famalicão, só podemos dizer que valeu a pena a espera. O Jorge Oculista é uma referência no mercado da ótica, sem dúvida, mas a nossa curiosidade estava apontada às duas mulheres que lhe decidem hoje o destino. Andreia e Daniela Fonseca sucederam o fundador Alberto Jorge Fonseca com exatidão, humildade e sucesso.

Foi Daniela que nos abriu as portas desta casa com 56 anos, “mas bem conservada” como brincou. É que para além de ser a gestora da ótica familiar, também dá energia à direção da Associação Nacional do Ópticos, com o seu toque seguro e frontal. Ou seja, esteve na linha de fogo aquando o “estalar” da pandemia global por covid-19, a fazer o que nenhuma direção teve que fazer.

Com os restantes colegas da instituição, adequaram estratégias, aproximaram-se dos associados, ainda que em segurança, com o apoio que se impunha e viveram um período inédito de grande união. A par de todo esta agitação, Daniela teve que respirar fundo, enquanto salvaguardava a sua família e as restantes 65 que compõem a vida do Jorge Oculista. Tudo sob o olhar atento do pai. Aliás, foi ele que a preparou, na perfeição, para desafios magnânimos como este. Primeiro conseguiu conquistá-la para o negócio que fez crescer com astúcia e que, na altura certa, admitiu precisar de um novo fôlego. Depois deixou-lhe um autêntico império de óticas na mão, acabada de sair do curso de Gestão…porque sabia que, se havia alguém capaz de o gerir, era ela mesma, a menina que lhe entregava a relação precisa dos seus recebimentos e gastos sempre que ia para fora nos cursos de verão ou se lançava em algum “projecto” ambicioso.

No tempo do Alberto Jorge era tudo mesmo muito diferente.

Sim, por vezes o meu pai pergunta-me “porque trabalhas tanto. No meu tempo não trabalhava assim”. A sério? (risos) Lembro-me também de entrar na ótica e o atendimento personalizado ser visto pela equipa como algo das grandes cadeias. Foi interessante ver como tudo se alterou. Ou, por exemplo, até mesmo a exposição enorme, cheia de óculos, que mudou para o atual minimalismo. Ainda me lembro de um colaborador que tínhamos no escritório e que já se reformou, recordar sempre, que antigamente só se faziam pagamentos em dinheiro e havia muito dinheiro. Também éramos líderes e o mercado entretanto partiu-se. E eu já entrei noutro período. Pesa muito a nossa educação na forma como assumimos a empresa. Sempre esteve muito presente a responsabilidade da estrutura, o sabermos que somos 65 famílias, com quem temos muita proximidade. Nesta fase muito complicada tivemos essa confirmação, sempre que fazíamos as nossas reuniões (que passaram a ser online), a união e a força de vencer eram evidentes, estávamos todos igualmente comprometidos, e isso dá-nos alento.

Agora sobre a ANO, houve uma série de desafios e sonhos a que se propuseram quando se lançaram à direção da ANO. Caíram por terra?

Claro que não! E nem se coloca tanto a questão de sonhos, nós temos projetos e objetivos bem definidos. Alguns deles aceleraram, fruto da situação atual, como foi o caso da comunicação, onde tivemos que reajustar o conteúdo da mensagem. Inicialmente íamos focar-nos na saúde visual, na proximidade da associação e em como trazer destaque e reconhecimento ao setor da ótica. Mas, neste momento, impõe-se reforçar uma mensagem de segurança. Há alguns projetos que nos custa imenso adiar. Queríamos ter ido para o terreno, estar próximos dos associados e do setor em geral, mas não foi possível, por razões óbvias. Resta-nos agora reavaliar os projetos que tínhamos em curso e perceber a quais teremos que dar prioridade. Eles estão lá e bem traçados!

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